Sintonia, entusiasmo e uma energia contagiante, é assim o ensaio dos mais de 60 alunos do Projeto “Do Nosso Jeito” da Fundação Cultural do Pará. A sala de Dança na Casa da Artes fica repleta de risos, dança e brilho nos olhos dos alunos, instrutores e pais das crianças, jovens e adultos do projeto.

Este ano o espetáculo se chama “Luz, Câmera: Inclusão! Uma Hollywood do Nosso Jeito” e marca o encerramento das oficinas de dança e teatro do projeto desenvolvido na Casa das Artes. Entre os alunos estão cadeirantes, portadores de necessidades especiais, síndromes de down entre outros.

Moradora do bairro do Marco, a pequena Estefany Mota, de 11 anos, faz parte do projeto há três e é uma das alunas mais entusiasmadas com a apresentação. “Eu gosto de dançar, tenho muitos amigos aqui e estou muito feliz”, comemora. A avó de Estefany, Edilena Mota, que tem a missão de entrar no palco com ela conduzindo a cadeira de rodas, revela: “Minha neta gosta muito de vir pra cá. Ela nasceu com uma lesão na medula, teve hidrocefalia. Só as perninhas dela que não mexem. Ela adora participar do projeto”, conta, emocionada.

Experiência com as mães - Ana Cristina Oliveira, mãe do Gabriel, 26 anos, portador de Down, conta que é a primeira vez que entra no palco para atuar. Ela comenta sobre esta construção das cenas do espetáculo. “Excelente este momento, porque a princípio fiquei receosa de dançar de drag. Quando soube que as mães iam dançar vestidas de drag queen eu disse: pelo meu filho eu vou. E ele está muito feliz, por eu dançar com ele, por estar com ele no palco, ele se sentiu mais seguro de ver a gente participando. Estava esperando esta apoteose, este momento vai ser nós dois juntos”, desabafa Ana Cristina.

No total, são 17 cenas que se intercalam entre o projeto e a Companhia “Do Nosso Jeito”, formado pelos cadeirantes e andantes. Mauro Santos, coreógrafo e instrutor da companhia, explica sobre a participação das mães na cena musical do espetáculo. “Este ano resolvemos trazer as mães para a cena. Elas estão super felizes em participar. Sou professor de dança de salão e bicampeão brasileiro. Estou muito feliz com este momento. Esta energia é muito boa. Aqui é minha válvula de escape, me sinto muito bem aqui com eles e eles nos fazem muito felizes”, conclui Santos.

A coreógrafa Jeniffer Soares está há um ano como instrutora e coreógrafa do projeto e explica sobre a experiência dos ensaios com os alunos. “Trocar com eles é incrível, estar com eles todas as tardes durante os ensaios e ver a energia, o potencial deles, o quanto eles podem nos oferecer é maravilhoso. A gente apresenta a técnica e eles mostram o que são capazes de fazer e, o melhor, tudo fica lindo, é maravilhoso. Amo isso, estar com eles para mim é grandioso, me deixa com um coração leve, saio daqui sempre transformada”, detalha a coreógrafa.

Sobre as técnicas, Jeniffer acrescenta que “eles aprendem rápido, memorizam as entradas. Quando eu erro eles me corrigem. Eles adoram a coreografia, porque tem um objeto cênico que é a sombrinha. No início foi um desafio, mas ele conseguiram manusear muito bem o objeto”, finaliza.

Serviço: O espetáculo “Luz, Câmera: Inclusão! Uma Hollywood do Nosso Jeito” será apresentado no dia 19, segunda-feira, às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa, no Centur, que fica na Av. Gentil Bittencourt, 650. Entrada Franca.

Por Helena Saria