Mortes em série de civis e de PMs expõem disputa entre traficantes e milicianos no Pará

Entre domingo e a manhã de terça-feira, 28 pessoas morreram; casos seguem um padrão: neste ano, mais de 50 pessoas foram executadas após policiais serem assassinados. Número de PMs mortos já é próximo ao do ano todo de 2017.

Violência na Grande Belém (Foto: Reprodução/TV Liberal)

Uma guerra entre traficantes de drogas e milicianos fez disparar os assassinatos de policiais militares e de civis no Pará em 2018.

Foram 21 PMs mortos até esta terça (1º). O número já é próximo ao registrado em 2017, quando durante o ano todo morreram 34 militares, de acordo com a Associação de Cabos e Soldados da PM. Em comparação, no Rio de Janeiro, sob intervenção federal na área de segurança, foram mortos 38 PMs em 2018.

Houve, ainda, 686 mortes violentas apenas em janeiro e fevereiro, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo projeto Monitor da Violência, parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro da Segurança Pública. O total coloca o estado como um dos três que mais matam no país. Questionado, o governo do Pará não informou a quantidade de assassinatos no estado em 2018.

O capítulo mais recente começou na tarde de domingo, 29, com a morte a tiros da cabo da PM Maria de Fátima Cardoso, em Ananindeua, na Grande Belém (Foto: Polícia Militar )

O capítulo mais recente começou na tarde de domingo (29), com a morte a tiros da cabo da PM Maria de Fátima Cardoso, em Ananindeua, na Grande Belém. Ela vinha sofrendo ameaças de morte. Nas horas seguintes, o Governo do Estado confirmou 28 pessoas assassinadas, também na região metropolitana -- dez no domingo, quinze na segunda (30) e mais três até às 6h30 desta terça (1º). Os casos seguem sob investigação.

Criminosos atiram em trailer da PM em Belém e uma policial fica ferida (Foto: Reprodução/TV Liberal)

Padrão
Trata-se de um padrão recorrente, diz Armando Brasil Teixeira, promotor do Ministério Público Militar do Pará: à morte de um policial militar seguem-se assassinatos de civis com indícios de execução --tiros na cabeça, por exemplo.

"É muita coincidência. Há fortes indícios de haver nexo entre os casos, mas ainda falta a comprovação", diz.

Armando Brasil Teixeira, promotor do Ministério Público Militar do Pará (Foto: Luiz Cláudio Fernandes)

Só em 2018, houve, incluídos os casos de domingo e segunda-feira, quatro séries de mortes horas depois do assassinato de policiais militares, todas na Grande Belém. Ao todo, foram seis PMs mortos e um guarda civil. Na sequência, 56 pessoas.


  • Em 6 de janeiro, o sargento Wladimir Odylo Gilibert de Matos levou tiros nas costas e no peito quando estava em frente de casa, em Belém. No dia seguinte e no posterior, 13 pessoas foram assassinadas, algumas com características de execução;
  • Em 26 de fevereiro, um policial militar foi assassinado em Santa Izabel do Pará; em Marituba, na Grande Belém, morreram um guarda civil e um sargento da PM. Em 1º de março, seis pessoas foram mortas, cinco em Belém e um em Marituba. Segundo a polícia, todos os casos tinham características de execução;
  • Em 9 de abril, um policial militar foi morto em Belém e um cabo, em Ananindeua. No mesmo dia, 12 pessoas morreram em Belém e em Ananindeua, igualmente com indícios de execução.


O governo, oficialmente, não faz relação entre os casos, embora tampouco descarte que isso aconteça. Os crimes seguem sob investigação.

'Guerra'
Segundo Teixeira, as mortes são reflexo de uma disputa entre traficantes ligados ao Comando Vermelho e milícias com a participação de policiais e outros agentes de segurança --que agem tal qual como Rio de Janeiro. E não necessariamente, afirma, as vítimas têm relação com um dos lados da disputa

"Os alvos muitas vezes são aleatórios", diz.

As mortes de policiais são determinadas por telefone a partir de prisões no Pará, afirma. Ele abriu inquérito no Ministério Público Militar para apurar os assassinatos de PMs, área de sua competência. Já os homicídios de civis estão a cargo de apuração da Polícia Civil.

"As ordens são passadas de dentro das penitenciárias, para mostrar poder. Depois, quando há morte de policiais, vem o troco."

Em setembro, a Secretaria de Segurança Pública do Pará fez operação contra milícias e deteve policiais militares e civis. O grupo era suspeito de atuar em chacinas na Grande Belém.

O promotor criticou o governo por uma política "omissa" em relação à segurança pública.

O que diz a secretaria
Questionada sobre as mortes no Pará, a secretaria diz terem sido "traçadas novas medidas para enfrentamento da criminalidade no estado, especialmente na região metropolitana de Belém". Entre as ações estão aumentar o policiamento em áreas de grande incidência criminal da Grande Belém, para conter os homicídios e o tráfico de drogas.

O secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes, se reuniu com o ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, em Brasília (DF), para definir ações que podem ser desenvolvidas de forma conjunta na área de segurança (Foto: Segup )

Outra ação será trocar a empresa responsável pelo bloqueio de celulares nos presídios, de modo a evitar que criminosos tentem agir contra as forças de segurança do Pará.
Mortes em série de civis e de PMs expõem disputa entre traficantes e milicianos no Pará Mortes em série de civis e de PMs expõem disputa entre traficantes e milicianos no Pará Reviewed by Redação on maio 01, 2018 Rating: 5

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